Adamanina: a cada 100 consultas marcadas com pediatra, 20 pacientes não comparecem
De 7 de janeiro a 6 de fevereiro foram ofertadas 375 consultas e registradas 70 faltas.

Uma demanda bastante reclamada por moradores na saúde pública em Adamantina – a disponibilização de consultas por pediatras – tem um outro lado que contribui como um dos fatores que dificultam ou adiam o acesso à especialidade médica voltada para o público infantil: são as consultas agendadas em que os pais ou responsáveis pelas crianças não comparecem na data e horário marcados.
Os atendimentos em pediatria estão centralizados no CIS (Centro Integrado de Saúde) e são agendados diretamente pelas unidades básicas de saúde. O Siga Mais obteve informações sobre alta incidência de faltas, nas consultas agendadas, situação que pode contribuir para tornar mais tardio o acesso a quem busca pelo atendimento, em razão da data e horário reservados não terem o comparecimento de quem estava agendado para aquele momento.
Sobre o tema o Siga Mais procurou a secretária municipal de saúde, Elisabete Cristina Jacomasso Marquetti, que confirmou o cenário. “A questão da falta nos atendimentos com médico pediatra é uma problemática em nosso município. Isso porque o profissional desta área já está escasso o que torna ainda mais necessário o comparecimento na criança na data e horário que foi previamente agendado”, disse.
Além disso, conforme a gestora municipal, o não comparecimento faz com que outras crianças percam a oportunidade de serem consultados pelo especialista. Em média, a cada 100 consultas marcadas com pediatra, 20 pacientes não comparecem. “Somente no período compreendido de 7 de janeiro a 6 de fevereiro foram ofertadas 375 consultadas e registradas 70 faltas, o que aponta um percentual [de faltosos] de aproximadamente 20%”, detalhou.
Não vai pode ir, avise para que outra criança seja chamada
A secretária orientou que na impossibilidade de comparecimento a data e horário previamente agendados, o serviço público seja informado par que possa repor a vaga com agendamento de outra criança. “Pedimos que os pais e/ou responsáveis compareçam nas consultas e, caso surja algum imprevisto, que seja avisado o quanto antes a fim de possibilitar que outra criança tenha acesso ao médico”, completou.
Absenteísmo no SUS: faltas em consultas e exames prejudicam quem está na fila de espera
O absenteísmo nos serviços públicos de saúde, caracterizado pela ausência de pacientes em consultas, exames e procedimentos agendados, tem sido um desafio recorrente no Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. O problema impacta diretamente o funcionamento da rede e agrava a situação de quem aguarda atendimento, muitas vezes por meses, em filas que poderiam ser reduzidas caso os compromissos agendados fossem cumpridos.
Dados de secretarias estaduais e municipais de saúde mostram que, em algumas regiões, o índice de faltas pode ultrapassar 30% das consultas marcadas. Esse número representa um desperdício de recursos e compromete a eficiência do atendimento, já que o tempo vago dificilmente é preenchido por outro paciente de forma imediata.
A consequência mais visível do absenteísmo é o aumento da fila de espera. Quando um paciente falta a uma consulta médica ou a um exame especializado, ele não apenas perde a oportunidade de diagnóstico e tratamento precoce, mas também ocupa um espaço que poderia ter sido destinado a outra pessoa. Além disso, a ausência em exames diagnósticos pode atrasar o início de tratamentos essenciais, agravando quadros clínicos e sobrecarregando o sistema com pacientes em situação mais crítica.
O impacto financeiro também é significativo. O SUS destina recursos para cada procedimento realizado, e quando um paciente não comparece, esses valores não são utilizados de forma eficiente. Profissionais de saúde ficam com horários ociosos, equipamentos são subutilizados e o tempo de atendimento poderia ter sido melhor aproveitado.
Para minimizar o problema, diversas prefeituras e estados têm adotado medidas como o envio de lembretes por mensagem de texto e telefone, além da exigência de justificativa para faltas recorrentes. Algumas localidades estudam penalizações para pacientes que faltam sem aviso, como restrições temporárias para novos agendamentos.
O combate ao absenteísmo exige conscientização e responsabilidade. A participação ativa dos pacientes, informando a impossibilidade de comparecimento com antecedência e respeitando os compromissos agendados, é essencial para que o atendimento na saúde pública seja mais ágil e eficaz, beneficiando toda a população.